O setor elétrico africano em 2025: Entrevista anual com Abel Didier TELLA, diretor-geral da Associação de Empresas de Energia Elétrica da África.
25 de fevereiro de 2026,
Neste podcast, Lamine Savadogo entrevista Abel Didier Tella, diretor-geral da Associação de Empresas de Energia Elétrica da África (APUA). Eles discutem o progresso alcançado no setor elétrico africano no ano de 2025, incluindo o aumento das taxas de acesso à eletricidade, a penetração de fontes de energia renováveis e o aproveitamento de recursos financeiros domésticos para financiar o setor. Eles também discutem os desafios enfrentados pelo setor elétrico africano, agora e no futuro.
Sabia que, no final de 2025, África atingiu 285 gigawatts de capacidade instalada de geração? Isso é uma mudança revolucionária que aumenta as taxas de acesso à eletricidade no continente.
Conteúdo principal:
1. O papel da APUA: Abel Didier Tella tem mais de quatro décadas de experiência no setor energético, tendo sido diretor-geral da APUA, a organização continental que reúne mais de 58 fornecedores de serviços públicos em toda a África, com foco no fortalecimento das 58 empresas de energia elétrica em todo o continente. Tella enfatiza: «A nossa missão é fortalecer os serviços públicos e fornecer eletricidade confiável e acessível a todas as pessoas na África».
2. Crescimento das energias renováveis: De acordo com Tella, no final de 2025, África atingiu uns impressionantes 285 gigawatts de capacidade instalada, com mais de 30% proveniente de fontes de energia renováveis. Países como o Egito estão na liderança, com 60 gigawatts de capacidade e a recente entrada em funcionamento da sua primeira central nuclear. Os investimentos de Marrocos em energia solar e eólica demonstram o compromisso do continente com a diversificação das suas fontes de energia.
3. Acesso à eletricidade: atualmente, cerca de 1,025 bilhão de pessoas na África têm acesso à eletricidade, com os membros da APUA conectando 147 milhões de pontos de serviço. Tella observa: “Quando analisamos a média, uma conexão pode atender a várias pessoas, o que sugere que estamos perto de 800 milhões de pessoas conectadas à rede. No entanto, ainda temos aproximadamente 570 milhões de pessoas sem acesso”. Com a Missão 300, pretendemos levar mais 300 milhões de pessoas à rede elétrica até 2030.
4. Financiamento e investimento: A Barragem da Renascença Etíope é um excelente exemplo de mobilização bem-sucedida de recursos financeiros internos para projetos de energia. Tella discute como a Etiópia mobilizou investimentos locais, apresentando um modelo que pode ser replicado em todo o continente. Ele explica: «A diáspora pode desempenhar um papel fundamental no financiamento de infraestruturas, não apenas por meio de instituições, mas também como investidores individuais».
5. Utilização industrial da eletricidade: A conversa passa para a forma como a eletricidade está a ser utilizada em África. Tella destaca que, até 2030, a Etiópia pretende ter 35% da sua carga de rede alocada para uso industrial. Esta mudança é fundamental para melhorar a produção local e tornar os produtos africanos competitivos no mercado global. Ele afirma: «A proporção de energia limpa utilizada para produzir bens está a tornar-se um fator significativo no comércio internacional.»
As ideias partilhadas por Abel Didier Tella ilustram um momento crucial para o panorama energético de África. Com investimentos substanciais em energias renováveis, objetivos ambiciosos em termos de acesso à eletricidade e modelos de financiamento inovadores, o continente encontra-se numa trajetória promissora. No entanto, o caminho ainda está longe de estar concluído, uma vez que milhões de pessoas continuam sem acesso básico à eletricidade. As principais conclusões desta discussão incluem a importância do investimento local, o crescimento das energias renováveis e a necessidade de esforços contínuos para ligar todos os africanos à rede elétrica.
